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    Eu e outras poesias

    Por Augusto dos Anjos
    Existem 7 citações disponíveis para Eu e outras poesias

    Sobre



    (...)
    Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
    O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
    A mão que afaga é a mesma que apedreja.

    Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
    Apedreja essa mão vil que te afaga,
    Escarra nessa boca que te beija

    ("Versos íntimos" ? 1901)

    Augusto dos Anjos (1884-1914) foi ignorado pela crítica do começo do século. Se alguma exceção se abriu, foi para reputá-lo como autor de versos estapafúrdios e aberrantes. Nas décadas seguintes acabou reconhecido como um dos mais admirados e originais poetas brasileiros. Este volume inclui Eu (1912), único livro publicado em vida, e outras poesias publicadas de maneira esparsa. Augusto dos Anjos é, certamente, o precursor da moderna poesia brasileira, poesia esta que daria seu vôo somente em 1922, na célebre Semana da Arte Moderna. - L±
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    Citações de Eu e outras poesias

    Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera.

    VENCEDOR   Toma as espadas rútilas, guerreiro, E à rutilância das espadas, toma A adaga de aço, o gládio de aço, e doma Meu coração — estranho carniceiro!   Não podes?! Chama então presto o primeiro E o mais possante gladiador de Roma. E qual mais pronto, e qual mais presto assoma, Nenhum pôde domar o prisioneiro.   Meu coração triunfava nas arenas. Veio depois um domador de hienas E outro mais, e, por fim, veio um atleta,   Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem.. E não pôde domá-lo, enfim, ninguém, Que ninguém doma um coração de poeta!

    A Consciência Humana é este morcego! Por mais que a gente faça, à noite, ele entra Imperceptivelmente em nosso quarto!

    Continua o martírio das criaturas: — O homicídio nas vielas mais escuras, — O ferido que a hostil gleba atra escarva, — O último solilóquio dos suicidas — E eu sinto a dor de todas essas vidas Em minha vida anônima de larva!”

    A IDÉIA   De onde ela vem?! De que matéria bruta Vem essa luz que sobre as nebulosas Cai de incógnitas criptas misteriosas Como as estalactites duma gruta?!   Vem da psicogenética e alta luta Do feixe de moléculas nervosas, Que, em desintegrações maravilhosas, Delibera, e depois, quer e executa!   Vem do encéfalo absconso que a constringe, Chega em seguida às cordas do laringe, Tísica, tênue, mínima, raquítica…   Quebra a força centrípeta que a amarra, Mas, de repente, e quase morta, esbarra No molambo* da língua paralítica!

    Expulsar, aos bocados, a existência Numa bacia autômata de barro, Alucinado, vendo em cada escarro O retrato da própria consciência!

    E apenas encontrou na idéia gasta, O horror dessa mecânica nefasta, A que todas as coisas se reduzem!

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